:: Purgatório ::

Qualquer lugar onde se sofre por algum tempo.
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:: Quarta-feira, Julho 15 ::

Era Glacial

Definitivamente eu não me dou bem com o inverno.
Não gosto mesmo.
Sim, concordo que as pessoas ficam mais elegantes (quando tem dinheiro ou o mínimo de senso crítico pra isso), mas também considero uma armadilha cruel para a deselegância. O sujeito chega num lugar, vai se descascando e quando vê, por baixo, está vestindo aquela mesma blusinha pijamenta e amassada com a qual passou a semana inteira. Isso quando não se vê obrigado a pular aí um diazinho de banho e o cabelo acumula uma gordura que daria para fritar um ovo.
Nasci do lado debaixo da linha do Equador, e como país tropical é uma tremenda cafonice querer lidar com o inverno com charme europeu se essa estação costuma ser curta (graças a Deus) e branda, por isso não há uma preocupação com uma estrutura digna para passarmos por ela com conforto.
A previsão do tempo indica uma frente fria e lá vamos nos embalsamar com dois, três, quatro casacos. Me sinto um bichinho empalhado andando na rua com os braços abertos feito um pinguim. Que cena ridícula.
Depender de transportes coletivos é um dos maiores pesadelos do inverno. As pessoas fecham todas as janelas, lacram, e tem gente que sua, gente que tosse.. e transformam o ambinete num ecossistema perfeito para vírus e bactérias.
Essa coisa de sentir o ventinho gelado. Quem diz que isso é bom, não deve estar batendo muito bem da cabeça ou então anda na rua de máscara, de creme no mínimo.
Pele ressecada, de longe, não é das texturas mais agradáveis que eu já provei.
Frio é bom para três coisas:
1. dormir
2. comer (esteja aqui incluso o vinho!)
3. ficar esticada no sol feito um réptil
Frio é coisa de gente rica, que tem aquecedor, roupas bonitas e quentinhas e pode tirar férias duas vezes ao ano.
Mas o pior do frio é o efeito que a sensação térmica gera no psicológico. E por mais que eu tente ou por melhor que seja o momento, é sempre uma luta vencida não sentir a tal da melancolia. É no inverno que se agravam as crises existenciais, a preguiça, a vontade de entrar dentro de um útero quente e escuro e se sentir protegido das agruras do mundo.
O inverno é impositivo. Invade sem pedir licença por entre as frestas da lã e nos preenche de uma vulnerabilidade tão grande que reproduz, por vezes, uma carência patética que a gente finge que não vê e desfarça embaixo de cachecois, luvas para, de noite, lamber as nossas feridas embaixo do cobertor.
O inverno é pálido, cinza. É ele o grande responsável pelo meu mau humor e minha flacidez psicológica.

:: Demian 11:25:33 AM [+] ::
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:: Segunda-feira, Maio 18 ::
DOIS MESES..



.. com o futuro guardado numa garrafa aberta..



:: Demian 5:42:45 PM [+] ::
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:: Segunda-feira, Abril 27 ::
59.Esquizofrenia

O homem é dividido. A esquizofrenia é uma condição normal do homem -- ao menos no momento atual. Pode não ter sido assim no mundo primitivo, porém séculos de condicionamento, civilização, cultura e religião transformaram o homem numa multidão -- dividida, separada, contraditória... Contudo, pelo fato de essa divisão ser contrária à sua natureza, lá no fundo, escondida em alguma parte, à unidade ainda sobrevive. Porque a alma do homem é unitária, todos os condicionamentos, no máximo, só destroem a periferia do homem. O centro permanece intocado -- por isso é que o homem continua a viver. Mas sua vida tornou-se um inferno.

Todo o trabalho do Zen é voltado para o como desfazer-se dessa esquizofrenia, como desvencilhar-se dessa personalidade cindida, como descartar a mente dividida do homem, como tornar-se não-dividido, integrado, centrado, cristalizado.
Do jeito como você está, não se pode dizer que você é. Você não tem um ser -- é uma praça de mercado: muitas vozes. Quando você quer dizer "sim", imediatamente o "não" se apresenta. Sequer você consegue articular um simples "sim" com inteireza... Dessa maneira a felicidade não é possível; a infelicidade é uma conseqüência natural de uma personalidade dividida.

Osho Dang Dang Doko Dang Chapter 3

Comentário:

O personagem desta carta traz um novo significado à velha idéia de "estar entre a cruz e a espada"! Mas é precisamente nesse tipo de situação que ficamos quando nos deixamos aprisionar pelo aspecto hesitante e dualista da mente. "Devo deixar que meus braços se soltem e cair de cabeça para baixo, ou deixar que as minhas pernas se soltem, e cair de pé? Devo vir para cá ou ir para lá? Devo dizer sim ou não?" E seja qual for a decisão que tomemos, sempre estaremos nos questionando se não deveríamos ter decidido do modo contrário.
A única maneira de sair desse dilema é, infelizmente, soltar os dois extremos ao mesmo tempo. Desse impasse você não vai conseguir sair valendo-se de fórmulas, pesando os prós e os contras, ou tentando resolvê-lo de alguma outra forma com a sua mente. Melhor seguir o seu coração, se lhe for possível ter acesso a ele. Se não tiver, simplesmente salte -- o seu coração começará a bater tão depressa que não haverá engano a respeito de onde ele está!

:: Demian 4:49:08 PM [+] ::
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:: Segunda-feira, Abril 20 ::
Let's get together and talk about the modern age.
All of our friends were gathered there with their pets
Just talking shit about how we're all so upset about the disappearing ground.
As we watch it melt....

It's all of the good that won't come out of us
And how eventually our hands will just turn to dust,
If we keep shaking them.
Standing here on this frozen lake.

I do this thing where i think i'm real sick
But i won't go to the doctor to find out about it
Cause they make you stay real still in a real small space
As they chart up your insides and put them on display.
They'd see all of it, all of me, all of it.

All the good that won't come out of me
And all the stupid lies i hide behind.
It's such a big mistake
Lying here in your warm embrace.

Oh, you're almost home.
I've been waiting for you to come in.
Dancing around in your old suits going crazy in your room again.
I think i'll go out an embarrass myself by getting drunk and falling down in
The street.
You say i choose sadness
That it never once has chosen me.
Maybe you're right...

Let's talk about all of our friends who lost the war
And all of the novels that had yet to be written about them.

It's all the good that won't come out of them
And all the stupid lies they hide behind.
It's such a big mistake
Standing here on this frozen lake.

It's all of the good that won't come out of me
And how eventually my mouth will just turn to dust
If i don't tell you quick.
Standing here on this frozen lake.

Rilo Kiley - The good that won't come out

:: Demian 11:58:25 AM [+] ::
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:: Quarta-feira, Abril 1 ::
Meu caro amigo,

to com uma leve sensação de que o mundo está acabando.
IDEIA:
montar uma comunidade hyperural
viver do cultivo de cogumelos
tocar.. compor
comer vegetais e frutos sem agrotóxico
porque o futuro, a moda e a consciência pede que sejamos vega
e qdo der na telha vir pra cidade, claro, tocar o puteiro, forasteiros, como filme de velho oeste
isso ou botar os bichos em extinção (nós, pessoas de bom gosto, inteligentes, honestas e estilosas.. ) no navio negreiro de noé
qualquer coisa a ficar refém de zé pequeno
porque sim, estou certa de que o mundo esta acabando e Ele nao voltará para essa bagaça cheia de loucos outra vez...

:: Demian 2:51:09 PM [+] ::
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:: Quarta-feira, Março 18 ::
46. Exaustão
O homem que vive através da consciência mental torna-se pesado. Aquele que vive com consciência permanece leve. Por quê? -- porque um homem que tem apenas algumas idéias a respeito de como se deve viver, naturalmente se torna pesado. Ele se sente obrigado a carregar consigo o seu caráter. Esse caráter é como uma armadura: é a sua proteção, a sua segurança. Toda a sua vida está investida nesse caráter. E ele sempre reage às situações através desse caráter, nunca diretamente. Se você lhe faz uma pergunta, a resposta é pré-fabricada. Esse é o sinal de uma pessoa "pesada" -- ela é enfadonha, estúpida, mecanizada. Ela pode ser um bom computador, mas não é um homem. Você provoca e ela reage de uma maneira bem definida. A reação é previsível: ela é um robô.
O homem verdadeiro age de maneira espontânea. Se você lhe faz uma pergunta, obtém uma resposta, não uma reação. Ele abre o coração para a sua pergunta, expõe-se a ela, responde a ela...

Osho Take it Easy, Volume 1 Chapter 13

Comentário:

Eis aqui o retrato de uma pessoa que esgotou toda sua energia vital nos esforços que fez para manter em funcionamento sua enorme e ridícula máquina de imagens pessoais de importância. Ela esteve tão ocupada "mantendo as partes ligadas entre si" e "assegurando-se de que tudo funcionava bem", que se esqueceu de descansar de verdade. Sem dúvida, esse personagem não pode permitir-se qualquer distração. Deixar de lado suas obrigações para dar um passeio na praia poderia significar o desmantelamento de toda a estrutura.
A mensagem desta carta não é, entretanto, apenas a respeito de ser um viciado em trabalho. Ela se refere a todas as maneiras pelas quais criamos rotinas seguras, porém contrárias à natureza, que conseguem manter longe de nós tudo o que é caótico e espontâneo. A vida não é um negócio para ser administrado: é um mistério a ser vivido. Já é tempo de rasgar o cartão de ponto, escapar da fábrica e fazer uma pequena viagem pelo desconhecido. O seu trabalho poderá fluir mais suavemente a partir de um estado relaxado de mente.

:: Demian 7:01:40 PM [+] ::
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:: Segunda-feira, Março 9 ::
8.CORAGEM

A semente não pode saber o que lhe vai acontecer, a semente jamais conheceu a flor. E a semente não pode nem mesmo acreditar que traga em si a potencialidade para transformar-se em uma bela flor. Longa é a jornada, e sempre será mais seguro não entrar nessa jornada, porque o percurso é desconhecido, e nada é garantido. Nada pode ser garantido. Mil e uma são as incertezas da jornada, muitos são os imprevistos -- e a semente sente-se em segurança, escondida no interior de um caroço resistente. Ainda assim ela arrisca, esforça-se; desfaz-se da carapaça dura que é a sua segurança, e começa a mover-se. A luta começa no mesmo momento: a batalha com o solo, com as pedras, com a rocha. A semente era muito resistente, mas a plantinha será muito, muito delicada, e os perigos serão muitos.

Não havia perigo para a semente, a semente poderia ter sobrevivido por milênios, mas para a plantinha os perigos são muitos. O brotinho lança-se, porém, ao desconhecido, em direção ao sol, em direção à fonte de luz, sem saber para onde, sem saber por quê. Enorme é a cruz a ser carregada, mas a semente está tomada por um sonho, e segue em frente.

Semelhante é o caminho para o homem. É árduo. Muita coragem será necessária.

Osho Dang Dang Doko Dang Chapter 4

Comentário:

Esta carta mostra uma pequena flor silvestre que enfrentou o desafio das rochas, das pedras em seu caminho, para aflorar à luz do dia. Envolta em brilhante aura de luz dourada, ela exibe a majestade do seu pequenino ser. Sem nenhum constrangimento, equipara-se ao sol mais brilhante.
Quando nos defrontamos com uma situação muito difícil, há sempre uma escolha: podemos ficar repletos de ressentimentos e tentar encontrar alguém ou alguma coisa em que pôr a culpa pelas nossas dificuldades, ou podemos enfrentar o desafio e crescer.
A flor nos mostra o caminho, na medida em que a sua paixão pela vida a conduz para fora da escuridão, para o mundo da luz. Não há nenhum sentido em se lutar contra os desafios da vida, ou tentar evitá-los ou negá-los. Eles estão aí, e se a semente deve transformar-se na flor, precisamos passar por eles. Seja corajoso o bastante para transformar-se na flor que você foi feito para ser.

:: Demian 7:00:25 PM [+] ::
...
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:: Terça-feira, Março 3 ::
LIGHT MY FIRE..




:: Demian 5:50:17 PM [+] ::
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"Não posso te culpar por querer o meu bem-estar
E por falar em bem estar
Como você tem passado?
Eu tenho andado tão triste..."

Colcha de Retalhos - Mariana Davies


:: Demian 4:20:54 PM [+] ::
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:: Domingo, Março 1 ::
"Arredores irregulares da minha emoção sincera.."

A arte da Guerra

Tantas estórias
que eu não vou contar pra vc
pq vc não quis...
Faltava pouco pra eu voltar da guerra
Faltou amor pra suportar a espera
"Nâo há tempo, nem lugar
q me faça lhe deixar"
AGORA:
Veja a púrpura cair
sobre os nossos corpos
Veja a estrela-guia se perder
sobre os nossos olhos
E à noite descanse em minha mão esquerda
Vai ver em mim o q não viu em vc... me julgue!
A arte de perder a guerra por olhar
Me fez tranquila, precisa, serena e segura

Mariana Davies


:: Demian 12:16:23 PM [+] ::
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:: Sexta-feira, Fevereiro 20 ::
I cant believe life's so complex

When I just wanna sit here and watch you undress...

This is love - PJ Harvey


:: Demian 3:30:28 PM [+] ::
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:: Terça-feira, Fevereiro 17 ::
A minha vida é uma centrífuga..

encadeamento de nós por desatar..



:: Demian 12:06:48 PM [+] ::
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Comments:
:: Quarta-feira, Fevereiro 11 ::
Reste une minute encore
il faudra bien un jour
parler de cet ennui
qui nous pousse à l'erreur
pour se faire des remords
ajustés à nos corps
portés sans aucun goût
et qui selon l'humeur
sans pudeur nous implore
à genoux
d'être toujours des leurs
à l'heure où on en perdait le goût

Autour de Lucie


:: Demian 10:33:18 AM [+] ::
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:: Quarta-feira, Fevereiro 4 ::
Sonho de adolescente realizado!





:: Demian 10:37:59 AM [+] ::
...
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:: Domingo, Fevereiro 1 ::
Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,
Espécie de acessório ou sobressalente próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou eu aqui em mim, sou eu.
Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconseqüente,
Como de um sonho formado sobre realidades mistas,
De me ter deixado, a mim, num banco de carro elétrico,
Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua,
Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda,
De haver melhor em mim do que eu.

Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa,
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,
De haver falhado tudo como tropeçar no capacho,
De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas,
De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida.

Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica,
Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar,
De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo
- A impressão de pão com manteiga e brinquedos
De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina,
De uma boa-vontade para com a vida encostada de testa à janela,
Num ver chover com som lá fora
E não as lágrimas mortas de custar a engolir.

Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado,
O emissário sem carta nem credenciais,
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,
A quem tinem as campainhas da cabeça
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.

Sou eu mesmo, a charada sincopada
Que ninguém da roda decifra nos serões de província.

Sou eu mesmo, que remédio!

Álvaro de Campos

:: Demian 11:46:36 PM [+] ::
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